Balanço do BP desperta curiosidade
A BP divulgará em breve seus resultados via demonstrações financeiras. Há uma expectativa enorme por parte de analistas pelos seguintes motivos:
1. Não se tem noção exata do impacto que o vazamento no Golfo do México provocará na companhia;
2. Foi constituído um fundo de US$ 20 bilhões para fazer face ao contencioso que se configura;
3. A empresa anunciou a venda de ativos no valor de US$ 7 bilhões relativos a operações no Canadá, EUA e Egito. A compradora é a Apache que é do ramo e tem sede nos EUA;
4. O governo indiano demonstrou interesse em adquirir ativos que a BP possui no Vietnã e Paquistão.
Porém, para mim, o fato mais inusitado foi o pronunciamento do presidente da BP, Carl-Henric Svanberg: “existem oportunidades de se livrar de ativos que são estrategicamente mais valiosos para outras partes do que são para a BP”.
Ora, uma empresa como a BP não precifica seu produto, trata-se de uma commoditie e como tal, seu preço segue o humor do mercado. Desta forma, o resultado tem seu fator-chave na gestão de ativos. Mas se o próprio presidente afirma que a BP possuía ativos que não lhe seriam estratégicos e que os mesmos seriam mais estratégicos em outras companhias, que gestão eficaz de ativo é esta Mr. Svanberg ?
Seria, aliás, a BP proprietária de ativos não-estratégicos e não aplicou em tecnologia necessária e suficiente para explorar em águas profundas e provocar, ato contínuo, um desastre ambiental sem comparação ? E onde estavam as autoridades norte-americanas que em tese deveriam fiscalizar este processo todo ?
Parece que sobram perguntas e as respostas estão cada vez mais rarefeitas.
Hoje dei uma entrevista para a Agência Leia sobre o assunto.
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