A Empresa do Futuro
Atualmente, não existe tema mais “batido” que este de se falar a respeito da empresa da próxima década, a empresa do futuro, etc. Pouca coisa boa realmente li a respeito deste tema tão prolixo.
De uma coisa, pelo menos, todos, sem exceção, estão de acordo: o modo ou a maneira como se irá administrar a empresa daqui para diante vai ser muito diferente de tudo o que até então conhecemos sobre este assunto.
Parece uma conclusão óbvia ? Pois é mesmo ! O absurdo é que muitos poucos é que de fato enxergam o óbvio.
As medidas de cunho financeiro, de marketing, de recursos humanos e de planejamento (variáveis que a empresa possui algum tipo de controle) passarão por uma reviravolta de conceitos e de possibilidades. Isto porque, cada vez mais, as empresas poderão perder o controle sobre tudo o que se pôde controlar até aqui.
Como disse Michael Hammer em seu livro “Reengenharia”, as empresas atuais pretendem entrar no ano 2.000 com estruturas e pensamentos que foram concebidos para as empresas do século passado !
O leitor pode verificar, portanto, que não será uma questão de gosto pessoal do empresário, ou espírito de equipe de trabalho, ou qualquer outra coisa bonita que se queira falar para “melhorar um pouquinho” a empresa. Agora será por uma força invisível, porém fortíssima, é que irá apenas alertar os mais atentos sobre sua necessidade de mudança de procedimentos.
Infelizmente, tenho ouvido até de, pasmem, pessoas de um bom grau de escolaridade, que este cenário jamais irá se concretizar no Brasil. Para esses míopes, basta ver um exemplo banal : o fenômeno da informatização dos lares e acesso a um mundo até então desconhecido : a estrada da informação planetária, ou a Internet. Hoje podemos comprar o que bem quisermos por este meio em qualquer lugar do mundo.
Então, esses míopes dizem que isso não faz parte do mundo da pequena e média empresa.
Eu afirmo e reafirmo, este mundo é sim de qualquer tipo de empresa, sobretudo aquelas que encaram a mudança como uma poderosa arma para a transformação.
Perceba que apenas tratamos de um item e o montante de forças retrógradas que buscam desenfreadamente mudar o sentido natural das coisas. Meus amigos, não vai ser porque você queira ou não que determinadas coisas vão acontecer. Nem acredite naquele seu amigo com pinta de intelectual. Não há mais espaço para debates do tipo certo-errado. O tema agora é encarar que o processo é mesmo irreversível e já estamos muito atrasados. Nosso problema consiste em como fazer tudo isto dar certo num prazo exíguo.
Pensei em alguns pontos que podem auxiliá-lo para começar a diagnosticar os fatos e traçar um plano de ação para sua empresa.
• Profissionalismo : Como esse item é tratado na sua empresa ? De que maneira as pessoas que estão trabalhando em sua empresa entraram para o quadro ? Será que elas sabem exatamente o que fazem e o porquê estão fazendo ? Aliás, e você sabe também ? São estas pessoas capacitadas para executarem as funções que atualmente desempenham ? Tem elas ideia que não é a empresa que paga seus salários mas sim o cliente ?
• Negócio : Qual é o negócio de sua empresa ? Qual a fronteira máxima para atingirmos ? O que fazer quando chegar lá ? Existe um plano que oriente o rumo para adentrar a esta estrada ? E se alguma variável der errado, existe um plano alternativo ? O que ocorre quando acontecem mudanças no cenário político-econômico ?
• Crescimento : Normalmente o que vejo pelo mercado são empresários ansiosos em sair de uma situação difícil de endividamento com bancos, ou com problemas sobre como fazer para vender mais, enfim, coisas para o aqui e agora. Na verdade, estes problemas com um pouco de talento e informação, são fáceis de serem resolvidos. O difícil mesmo, diria raridade, é encontrar um empresário que queira um auxílio para traçar um plano de crescimento de sua empresa ;
• Competividade : Num futuro mais hostil e com um propósito claro de ser competitivo em escala mundial, não existe espaço para empresas que não assimilem muito bem a ideia de risco e de excelência em qualidade para o seu cliente. Tem que ficar claro que não se cresce e se torna competitiva a empresa que não queira despender investimentos para esse objetivo ;
• Parceria : O que você entende por parceria ? O verdadeiro valor de uma parceria somente é sentido num momento mágico : a primeira dificuldade e as subsequentes. Quando uma empresa “pisa na bola” com seu parceiro, o outro só terá uma certeza : essa empresa não está adequada para ser nossos parceiros. Nesse mundo globalizado, não será difícil encontrar outra ;
A conclusão que podemos chegar é que nestes próximos anos o furacão de mudanças começará a inundar com uma rapidez absurda nossos olhos. Mudanças de paradigmas até então vistos como intocáveis cederão lugar para posições mais maduras e profissionais.
A empresa do futuro, que a cada dia mais é presente, tem um objetivo muito bonito e nobre pela frente: abominar velhos conceitos, ser um pouco mais humilde para aceitar sem melindres, críticas ou sugestões. Talvez, o melhor de tudo, a percepção de que, embora alguém possa ter direitos legais sobre uma organização, na prática, ele não o tem. Quem tem é o cliente ou numa visão ampliada o mercado.
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