Negócio Próprio ou Franchising ?

O tema acima foi objeto de uma pergunta enviada por um leitor da capital e que a seguir darei uma posição das vantagens e desvantagens de ambos os tipos.

De todos os artigos escritos em relação a esta questão poucos tocam naquilo que acredito ser de importância essencial para o sucesso de uma franquia ou de um negócio próprio: a personalidade.

A franquia é um sistema hermético, com regras próprias onde o franqueador (aquele que é o detentor da marca e direitos) obriga o franqueado (aquele que tem interesse em “comprar” os direitos de uso da marca) a seguir um verdadeiro roteiro, isto é, a bíblia do franqueado.

Note-se bem aqui a nossa primeira preocupação. Se estivermos diante de uma pessoa que tem a personalidade voltada para a modificação do estado natural das coisas, que não se adapte a conviver com ideias contrárias as suas, que encontre em seus atos do quotidiano motivação em fazê-los sempre de uma maneira distinta, que não admita seguir regras claras e definidas e tenha verdadeira objeção em sentir-se igual aos demais; bem está aqui traçado o perfil de uma pessoa que não se dará bem com franchising.

Leia bem atentamente o perfil psicológico supra citado. Verifique se você possui estas características. Não fique triste se as possuir, muito pelo contrário, você está inclinado para ser um empreendedor, ou seja, você se dará melhor com uma empresa feita a sua semelhança. Encontrará mais dificuldades no início, todavia elas serão um estímulo para que a cada novo dia você reinvente e melhore esta empresa.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é a variável risco.

A grande parte das pessoas acredita que ao optarem por uma franquia o risco é o mínimo possível. Portanto, acreditam que o sucesso estará muito mais próximo que um eventual fracasso. Tanto na minha atuação de consultor de empresas, como na de professor, já me deparei com pelo menos uma centena de pessoas que simplesmente desconhecem questões elementares na condução de um negócio e aventuram-se na franquia. Quando tem a “sorte” de encontrarem do outro lado uma empresa efetivamente profissional, a possibilidade de certeza é ampliada, porém o contrário é trágico para ambos os lados.

Assim, os passos que devem ser dados, caso se opte pelo franchising são:

* Visitar a empresa-mãe, conhecer seus métodos de trabalho, seus funcionários, seus produtos e principalmente sua tecnologia administrativa e financeira;

* Conhecer alguns franqueados e saber deles a opinião clara e certa do que estão atravessando. Saber onde e quais são os pontos fortes e pontos fracos da empresa;

* Conhecer um possível concorrente ou pelo menos a mesma linha de produtos ou mesmo de serviços e fazer uma comparação minuciosa e profissional analisando onde estão os benefícios e desvantagens de cada empresa analisada.

Claro que estes são passos básicos e apenas uma primeira etapa a se seguir. Porém se as pessoas que venham a ter interesse em ser um futuro franqueado trilhassem estes três pontos aqui relatados, o êxito seria muito maior. Isto sem levar em consideração que na maioria dos casos uma pequena fortuna foi usada para a compra de um sonho de tornar-se independente e o final da história pode ser de prejuízo.

Trabalhar com uma marca conhecida também é outra grande atração exercida pelas franquias. Sabemos muito bem em marketing que para se construir uma imagem e conceito para uma marca, anos são gastos, além de um caminhão de dinheiro. Por outro lado a depreciação de um nome pode levar algumas horas !

No âmbito burocrático, porém essencial, é necessário verificar se a marca está devidamente registrada no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), em que classes, até quando e se o registro é ou não definitivo. Existem marcas com nomes semelhantes que podem atrapalhar o consumidor ? As cores, logotipo, embalagens também têm algum tipo de proteção legal, ou não ?

A marca é importantíssima dentro do marketing-mix, mas precisamos tomar as devidas proteções legais e jurídicas com o intuito de nos proteger de futuros problemas nesta área.

A maior queixa que tenho ouvido das pessoas não está relacionada diretamente com estes temas aqui levantados, mas, principalmente da falta de uma transferência de know-how nas partes de comercialização, tributária, financeira, recursos humanos e gerenciamento em geral. Não é mera coincidência encontrar pessoas em cursos de legislação tributária ou de custos para entenderem o comportamento de sua loja franqueada.

Cada empresa que tem a idéia de iniciar um crescimento via franchising deveria em primeiro lugar conhecer-se melhor enquanto empresa, desenvolver uma tecnologia administrativo-financeira e estar munida de profissionais competentes para resolver seus problemas e oferecer treinamento contínuo e frequente para seus franqueadores. Caso contrário, a má imagem da empresa pelo cliente será maléfica para franqueado e franqueador. Isto porque o cliente não sabe se esta loja é própria ou é franqueada. O cliente apenas quer saber que está na loja X e acima de tudo quer que seus desejos sejam saciados.

Esforços de propaganda e marketing são oferecidos como um grande trunfo para o convencimento, quando o assunto é franchising. Todos sabem que a propaganda será boa se o cliente assim a entender. Independe se será um publicitário novato ou experiente, de uma marca nova ou já conhecida, da agência A ou B. A única coisa importante é o nível de recordação de uma propaganda e sua plena associação com o produto ou serviço oferecido.

Assim, espero ter respondido neste breve espaço a dúvida de nosso leitor. Não existe um sistema melhor nem pior que o outro. O que efetivamente existe são dois tipos completamente distintos em sua forma, conteúdo e estilo. Entretanto a prática administrativa eficiente, a correta apreciação da situação econômico-financeira, a política de recursos humanos e a transferência ou não de tecnologia são os fatores preponderantes para se alcançar o sucesso em ambas situações.



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