Fontes de Capital de Giro

Atualmente os gestores das empresas estão sendo acometidos por um dilema: vender mais com menor margem ou menos com uma margem maior?

Quer seja numa situação como outra, o fato é que o capital de giro que será necessário e fundamental para o plano dar certo, na grande parte das vezes é esquecido.

Assim, uma pergunta se faz necessária já no ato do planejamento: qual o capital de giro que a empresa tem, qual será o valor que se precisará para colocar as vendas em ação e, talvez a parte mais importante, quais são as fontes que a empresa dispõe para financiar o capital de giro.

Não há milagre. O fato é que o capital de giro poderá ser financiado ou bem com recursos próprios ou de terceiros. Todavia e infelizmente, por ser de difícil compreensão, várias empresas não sabem como de fato calcular o capital de giro necessário para suas operações e tal fato as leva para uma condição financeira de aperto. Conheço empresas grandes que ainda os dirigentes teimam em fazer “continhas simples”, como, por exemplo aquela de imaginar que o lucro é caixa. Lucro é de natureza econômica e, obviamente, não foi monetizado ou transformado para a natureza financeira. E a primeira esfera que pode ou não fazer com que o lucro consiga se transformar em caixa é se ele consegue superar a expansão da necessidade de capital de giro que a empresa necessita de um período para outro. Essa é a conta de partida que todas as empresas deveriam fazer. A visão econômica demonstra o quanto a empresa conseguiu gerar de riqueza ou de aumento patrimonial. Mas se tal riqueza não consegue financiar a expansão que a empresa está em marcha, ela simplesmente não conseguiu um crescimento auto sustentável (CAS). Assim para crescer de forma suto sustentável, a fórmula é:

CAS = Resultado Operacional – Δ NCG

Onde:

  • CAS = Crescimento Auto Sustentável. Para ocorrer de fato, há necessidade de CAS > O
  • Resultado Operacional = Receita – Custos – Despesas da Operação
  • Δ NCG = Variação da NCG (Necessidade de Capital de Giro)

Desta forma, os dois principais financiadores do capital de giro de origem própria são:

 Lucro operacional;

 Diminuição da necessidade de capital de giro.

O lucro de uma empresa pode ser aumentado de dois modos: por meio de um numero maior de receitas ou da redução dos custos. Os custos podem ser reduzidos pagando-se menos por um item ou serviço, ou usando os recursos existentes de maneira mais eficiente. Qualquer redução nos custos deve aumentar o lucro de uma empresa. O lucro pode ser aumentado, investindo em ativos mais rentáveis, que possam gerar níveis mais elevados de receitas é fundamental compreender como o lucro e aumentado e reduzido, para se ter ideia da relação entre retorno e risco.

Se os ativos da operação excederem os passivos da operação, a empresa terá uma NCG (Necessidade de Capital de Giro) positiva. O fato é que NCG > O precisa ser sustentada pela geração de riqueza. E este quebra-cabeças financeiro é que deve ser resolvido de forma contínua e sistemática pelas empresas quando realizam seus planos de expansão. A maioria das empresas precisa operar com um certo montante de NCG. Quanto mais NCG ela tiver, mais líquida será e, portanto menor será a probabilidade de solvência técnica. O oposto também e considerado verdadeiro: níveis baixos de liquidez estão relacionados a altos níveis de risco da empresa.

Se pela ótica da solvência a empresa com ativos maiores que passivos é interessante, do ponto de vista da liquidez o que ocorre é o inverso. Isso porque a empresa terá menos financiamento em nível operacional para fazer face aos ativos operacionais. Desse modo, a empresa buscará o complemento no CDGP (Capital de Giro Próprio). Se este for maior que a NCG, então a empresa terá liquidez. Caso contrário, terá de recorrer a capitais de terceiros para complementar o montante requerido.

O capital de terceiros é basicamente composto de dois tipos, a saber:

 Empréstimos e Financiamentos – fontes operacionais secundárias;

 Fornecedores, Tributos e Salários - fontes operacionais primárias .

Os empréstimos e financiamentos, que na prática é a injeção de capital de giro pelos bancos na empresa, só ocorre se a mecânica do crescimento auto sustentável não funciona adequadamente. Tal capital visa suprir a carência de CDGP. O banco compra injeta recursos de várias maneiras, sendo a mais comum o desconto de recebíveis. Nesta modalidade o banco “compra” à vista as duplicatas, ”descontando” no ato as despesas bancárias e os juros a que tem direito pelo período a transcorrer entre a data do desconto e a data do vencimento das duplicatas. Todavia, as condições dessa operação definem a responsabilidade da empresa que efetuou o desconto pelo pagamento das duplicatas ao banco, caso seu cliente falte o pagamento no vencimento. Por esse motivo, o montante das duplicatas ou contas a receber descontadas na data do balanço deve ser demonstrado subtraído das contas a receber respectivas, de modo a esclarecer que a empresa negociou aqueles direitos, mas poderá vir a ter de readquiri-los, caso o devedor falte ao pagamento. Tais duplicatas (as descontadas) devem figurar no passivo, pois existe uma divida por parte da empresa e as duplicatas foram utilizadas em garantia. Esta é a visão gerencial da operação e deve ser evidenciada nos Relatórios de Decisão Financeira (RDF).

Algumas empresas utilizam modalidades mais “exóticas” como o factoring. Para se configurar como factoring de fato, a operação financeira deverá realizar a venda direta de duplicatas à empresa de fomento. Se o título no vencimento não tiver liquidez, problema da empresa de fomento. Isso é factoring de fato. Qualquer coisa diferente desse modelo, não é factoring. O factoring de duplicatas não se apresenta como um empréstimo simplesmente porque o risco é todo da empresa que adquire o título.

Na próxima reunião de planejamento das vendas, leve em consideração o capital de giro. Com certeza, o seu estudo evitará problemas mais crônicos na frente.

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