Sinal Amarelo

Nas últimas semanas, diversos acontecimentos voltaram a chamar a atenção das pessoas em torno até do assunto financeiro. A crise europeia parece longe de uma solução sustentada, o IGP-M dá um galope preocupante, Israel faz uma barbeiragem em alto mar e aguça ainda mais os espíritos do Oriente Médio e hoje o Conselho de Segurança da ONU anuncia que fará novas sanções ao Irã.

Muitos perguntarão: e o que isso tem que ver com a minha empresa que fabrica borracha ? Tudo ! Neste mundo globalizado, quando o passarinho bate asas em Pequim faz ventar no Rio de Janeiro. Apenas uma dica: o preço do petróleo poderá variar bastante e, com ele, os preços. Ou seja, mais possibilidade de inflação. E a reunião co COPOM se aproxima e com ela o apetite em apertar o gatilho da SELIC estará mais intenso.

É bem verdade que somente em momentos como este é que se começa a dar alguma atenção às finanças da empresa; infelizmente.

E já há sinais de graves problemas de ordem financeira em grandes empresas. No reino das pequenas e médias o perigo é maior. Portanto, creio que está na hora de olhar as finanças com mais crítica e ciência. Exagero ? Basta entrar em qualquer agência bancária e verificar o que os gerentes destes bancos estão fazendo na maior parte de seu tempo. Eles passam horas ligando para empresas e pessoas físicas que estão com seus limites de crédito estourados e tentam buscar uma solução para o caso.

O fato é que a situação é um tanto quanto delicada.

Como consultor financeiro, recebo casos de empresas que pouca coisa há para ser feita, em função da delicada situação que se encontram.

Escrevo este artigo para colocar algumas questões para empresários e gestores pensarem e refletirem. Caso a maioria das respostas seja “não”, penso ser melhor buscar uma ajuda rapidamente, enquanto ainda há algo a ser feito.

Responda sinceramente. Hoje você sabe…

  • Qual o ganho, ou perda, real mês a mês ?
  • Qual o ponto de equilíbrio da empresa e das unidades de negócio ?
  • Qual é o risco de conceder crédito ?
  • Tomar decisões em tempo hábil, maximizando recursos e diminuindo custos ?
  • Definir metas mais reais com um conseqüente instrumento para exigir das pessoas ?
  • Ampliar o poder de análise das tendências de mercado com o seu negócio ?
  • Planejar a área fiscal, legalmente ?
  • Controlar quem te controla, contadores e gerentes de banco, por exemplo ?
  • Escolher um método de custo objetivo, simples e de aplicação imediata ?
  • Fazer preços de venda competitivos para ganhar mais mercado sem levar à pique a empresa?
  • Planejar financeiramente para não ser pego amanhã desprevenido ?
  • Estabelecer margem de contribuição por produto, unidade de negócio ou a empresa ?
  • Se o método de custo que usa já está ultrapassado e muito burocrático; sem o consequente resultado?

Evidentemente, este questionário não pretende esgotar o assunto. Todavia serve para perceber se a empresa está muito afastada de uma possibilidade real de fracassar ou se ainda há um caminho a seguir.

Também é muito importante dizer que a atividade financeira nas empresas nacionais é extremamente mal interpretada pelos gestores. Se perguntarmos para eles o que eles entendem que é finanças numa organização, provavelmente eles dirão que é a seção que faz pagamentos e recebimentos, além de pedir dinheiro emprestado a bancos em situações complicadas. Esta é apenas uma face de finanças que se chama tesouraria. Aliás, usar a tesouraria apenas para estancar a sangria é um sinal de má utilização do seu potencial. Ainda nessa linha, é muito comum também se contratar pessoas sem experiência e colocá-las nessa área. Quando se ouve: “fala com a mocinha do meu financeiro” já fico arrepiado em pensar o que vou encontrar pela frente.

Peço, portanto, que se pense com mais profissionalismo na empresa e que este artigo possa provocar uma discussão mais séria dos efetivos problemas que a mesma atravessa. Recorte as questões, reproduza-as, convoque uma reunião e coloque as questões em pauta. Garanto que o resultado será positivo para todos.



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