Susto de Caixa
Recentemente ouvi um dirigente de uma empresa dizer que em sua empresa ele não tinha fluxo de caixa; mas, sim, susto de caixa!
Fiquei ao mesmo tempo pasmo e interessado em saber mais sobre o que vinha acontecendo em sua empresa.
Segundo o dirigente, dentre as principais falhas que ele constatou nas verificações da ferramenta gerencial, destacam-se:
Sempre existem pagamentos de última hora que não constam no fluxo de caixa;
Há um furo muito grande na previsão de recebimentos;
Os saldos dos bancos não batem com o do fluxo por quê:
- o nunca se sabe quais tarifas o banco cobrará;
- o os cálculos de juros são sempre diferentes entre sua empresa e o banco;
- há uma má vontade por parte da gerência em esclarecer os fatos.
O departamento financeiro se preocupa mais em buscar linhas de financiamento de última hora junto aos bancos e não dirige toda a atenção para a ferramenta.
Após ouvir os pontos levantados acima pelo empresário, pode-se verificar claramente que o único problema que ele tem, não está em fazer seu fluxo de caixa “bater” ou deixar de “bater”. Infelizmente, nós temos uma mania de fixarmos nossa atenção nas consequência e ignorar a verdadeira causa do que está acontecendo na empresa. O rosário de reclamações acima apenas representa o conjunto de consequências de uma “empresa doente financeiramente”. Talvez ela sofra de finanpatia.
O melhor remédio nem é o tradicional fluxo de caixa que se faz nas empresas, como o visto abaixo.
Datas
Entradas
(-) Saídas
(+) Saldo Anterior
(=) Saldo Final
Como se pode notar, o fluxo acima mostra, de forma resumida, o modo que muitas empresas administram suas finanças. Para início de conversa, administrar finanças é muito mais complexo que realizar lançamentos de contas a pagar e receber e verificar se bate com o banco. Pode-se dizer que se trata de uma função tímida de tesouraria. Todavia, existem dois braços poderosos de finanças chamados de controladoria e planejamento financeiro que nem se nota a vida na grande parte das empresas brasileiras. Sem esses braços, a chance de se tomar uma medida errada é enorme.
Basta olhar o relatório acima e perguntar para qualquer pessoa qual seria a solução para melhorar o caixa da empresa. A maioria esmagadora dirá que o caixa melhora com o consequente aumento das vendas.
Caso a empresa tenha em sua estrutura um profissional de finanças, este dirá que essa afirmação pode ser falsa para a empresa. Para que uma empresa se auto sustente financeiramente é necessário olhar para a estrutura de financiamento de suas operações. Em outras palavras, deve-se verificar qual o lucro que a entidade vai gerar e qual será o incremento de capital de giro para tal empreitada, conforme a fórmula abaixo:
Situação Saudável ==> Lucro Operacional > Variação de Capital de Giro
Em outras palavras, o lucro é o combustível para o veículo chamado empresa. Se quisermos chegar a uma cidade que dista 100 Km, temos de ter dinheiro (capital de giro) para comprar os litros de combustível necessários. Se o dinheiro for suficiente, compramos a gasolina e viajamos tranquilamente. Caso não tenhamos, temos de tomar emprestado no banco ou de amigos para realizar a viagem.
É exatamente isso que acontece com as empresas. Elas teimam em viajar 100 Km com dinheiro suficiente para andar 60Km. Logo, vivem endividadas nos bancos. Existem 4 possibilidades de você fazer da sua empresa um veículo capaz de chegar à missão pela qual ela, a empresa, foi criada. A figura abaixo vai mostrar onde está sua empresa. Poderá ser um carro possante, ficar patinando na inércia ou um pau velho. Localize-a e pense em soluções para melhorar seu desempenho.
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