Qual seu tipo de liderança ?
Decidir é tão importante nas empresas que o empresário deveria estar tão atento a este assunto quanto um felino mira sua presa. Afinal de contas, dirigir uma empresa passa, sobretudo pela capacidade que a pessoa tem de tomar certas decisões e rejeitar outras tantas.
Muito já li sobre um possível jeito tupiniquim de decisão.
A bem da verdade, sempre me pareceu muito inconsistente e sem teor científico. Aliás, isto é o que não falta nas “conclusões” tendenciosas de uma grande parte de “analistas” de pequenas e médias empresas brasileiras. Numa época onde se decide a cada segundo, onde as decisões de pouca importância são esquecidas, onde cada decisão poderá nos colocar na dianteira ou na traseira da competição mundial, enfim, a tomada de decisão é que nos batizará como incompetentes ou como competentes.
De acordo com Robert Heller (Os Tomadores de Decisão, McGraw–Hill, São Paulo, 1991) são seis, os principais tipos de tomadores de decisão.
O primeiro decide por impulso. É o impulsivo. Baseado em decisões anteriores “quase iguais”, o impulsivo não titubeia e de supetão decide. O ponto negativo deste tipo de decisor é que ele não avalia que o ambiente ou até mesmo os elementos do ambiente de decisão são voláteis e, como tais, mudam a todo instante.
O segundo é o palpiteiro. Sente uma ligação divina que o invade até as vísceras. Com esta intuição (palavra da moda atualmente) ele pensa inconscientemente que incorporou um gênio e numa tacada decide. Mas muitos palpites estão errados e muitos sucessos intuitivos muitas vezes tomam decisões que são, indubitavelmente, ruins. O problema é saber quando suas entranhas estão dizendo a verdade.
O terceiro somente toma decisões baseadas em fatos, na análise e na interpretação. Chamemos de analítico. Ele não sabe que, se qualquer um desses itens for impreciso, ele não estará em melhor situação do que aquele que toma as decisões cegamente. As multinacionais são um exemplo vivo desse tipo de tomada de decisão. É bem verdade também que, em tais companhias, impera um ar de arrogância e prepotência dos seus homens que desembarcam no Brasil. Eles ainda nos veem como “seres inferiores”, muito embora com seu maldito “politicamente correto” reverberam que somos iguais. Para eles “John” e muito melhor que “João”. E tem brasileiro (aliás muitos) que pensam da mesma forma. Esquecem de um detalhe, quem prepara os dados primários, normalmente, é um tal de João, ou Jão. Resultado: decisão errada! Em outras palavras, de nada vale interpretar corretamente dados errados e vice-versa.
O quarto tipo de decisor é o “herói dos livros de administração”. Sim, é aquele gênio que você leu na revista e ficou com uma inveja danada. Parece que é um homem que nunca errou e que possui certa premonição ou capacidade extra de antecipar o ponto de decisão futuro e trabalhar com evidências translúcidas para chegar à conclusão infalivelmente correta. Esse tal herói é um mito que livros e revistas de administração tentam, a todo custo, passar aos leitores. É comum uma empresa que leu a tal da reportagem pedir a um headhunter recrutar o tal gênio para comandar suas operações. O resultado: um fiasco ou um novo round ganho. O que temos de ter em mente é que tais pessoas são isso mesmo: pessoas, gente! Como tais, não são infalíveis. Podem até passar essa imagem por meio do marketing pessoal. Porém, a armadura é tão consistente quanto uma casca de ovo: bonita e bem feita, mas frágil e sem a devida dureza que se esperava para resistir a um impacto mais forte.
O quinto decisor é o influenciável. Este espécime é uma mescla dos tipos anteriores. Algumas vezes é impulsivo, outras, tenta passar uma imagem de homem sério e se debruça sobre relatórios para encontrar a segurança dos números: não nos números dos cálculos, que são indispensáveis, mas nos números do grupo, isto é, nas pessoas que o rodeiam. O mais incrível neste tipo de decisor é que a cada instante uma pessoa pode estar no céu ou no inferno. Não há meio termo. Felizes daqueles que se encontram momentaneamente no círculo do poder porque eles é que de fato irão tomar as rédeas. O tipo influenciável é uma marionete do grupo para, muitas vezes, pilotar as cordas de suas próprias idiossincrasias, paixões, ilusões e até, por que não, maluquices mesmo.
E o sexto tipo, como seria ? Bem, o fato é que o sexto tipo é uma composição de todos os outros: o herói (quarto tipo) com a intuição (segundo tipo), com a rapidez para agir (primeiro tipo), com a preocupação com o julgamento humano (terceiro tipo) e com uma cuidadosa observação do grupo (quinto tipo). Ele é o tipo mestiço de gestor e é nele que voc~e deve se espelhar.
Difícil ? Com certeza ! Mas com um pouco de paciência e perseverança você irá conseguir.
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