Síndrome do Cachorro Preso

Outro dia, um amigo estava me contando sobre as peripécias de seu cachorro.

Segundo ele, desde pequeno o cão sempre viveu com ele em um pequeno apartamento. Num desses feriados prolongados, ele e o cão foram passear em um sítio de um parente. Quando chegaram ao sítio, ele abre a porta do carro e coloca o pequeno cachorro no chão. De repente, o animal dispara feito um buscapé e começa a correr sem parar ao redor da casa. Cansado, o cão retorna lentamente até o carro, dá uma olhada na cara de seu dono e pede para entrar no carro. Ele, então, abre a porta do carro e o cão se debruça no assoalho do veículo.

Mas o que tem a ver essa história canina com o mundo de negócios ? Parece que tudo. Por analogia, tanto empresas como muitos funcionários estão sofrendo da síndrome do cachorro preso. Como síndrome é um conjunto de características que levam um abalo no estado de saúde de uma pessoa, a tal síndrome do cachorro preso também tem uma série de características, a saber:

Pessoas:

  • muito tempo numa mesma função e sem vontade para tentar outros desafios;
  • desinteresse em aprender novidades e pensar de modo diferente;
  • crença firme que já sabe tudo sobre sua atividade;
  • postura arrogante contra pessoas que tentam mostrar novos horizontes;
  • acreditam piamente que há uma larga distância entre a teoria e a prática no mundo empresarial.

Empresas:

  • falta de instrumentos que possam sondar o mercado e perceber as modificações que este exigirá da empresa;
  • teimosia no que diz respeito à modernização de seu pensamento e de sua estrutura (exatamente nessa ordem – primeiro pensamento, depois estrutura);
  • enxerga muito mais zonas de perigo do que zonas de oportunidades;
  • discurso recheado de melodramas e saudades de um passado que acalentava e proporcionava um colchão de segurança.

E o que acontece quando soltamos a corrente das pessoas e das empresas? As pessoas saem desesperadamente à procura de um emprego. Correm de uma agência de emprego para outra, enviam uns 500 currículos pela internet, ligam para um monte de “amigos” e até chegam a pagar para empresas do tipo headhunter. Cansado e já sem capital, a pessoa começa a se convencer que perdeu tempo no emprego anterior e não se preparou para o novo cenário. Volta para casa (símbolo de segurança) e tenta passar o filme dos últimos anos em sua cabeça. De duas uma: ou cai numa depressão violenta, ou sacode a poeira e dá a volta por cima. Todavia, a questão permanece: por que a preparação tardou tanto?

Com as empresas ocorre um fato semelhante. Porém, o destino é mais cruel com as empresas. Normalmente elas quebram e saem da cena empresarial pela via da falência de suas atividades.

Quer seja para pessoas, quer seja para empresas, o fato é que quanto antes se puder perceber que a síndrome do cachorro preso está em vias de aparecer, tanto melhor. Embora ainda não exista uma vacina para proteger contra tal síndrome, alguns procedimentos para evitar a tal síndrome são importantes. Destacaria apenas dois para iniciar a discussão:

1. Não encare novidades com ar de desprezo e pensando que a mesma não tem a ver com você;

2. Busque, incansavelmente, preparo e conhecimento durante o processo e não depois que o fato ocorreu.

Mesmo com tais cuidados, a síndrome poderá estar contagiando outras pessoas e/ou empresas. Assim, redobre a atenção quando alguém começar a sussurrar no seu ouvido coisas como: “isso é bobagem”, “isso é conversa de gente que não conhece a coisa na prática”, etc. Cuidado, eles estão contagiados !



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