A Empresa Doente

Se o título deste artigo causar espanto de alguns leitores terá sido um bom começo.

A empresa não só pode como fica doente de fato. O grande problema é detectar se a mesma efetivamente está enferma por parte daqueles que a dirige. É como se um médico fosse analisar seu próprio filho.

Todos sabem que um médico não examina um filho, sobrinho ou neto por razões óbvias. Ele pode tentar fantasiar, ou seja, não querer encarar um determinado problema de saúde que uma pessoa tão próxima venha a ter.

Nestes casos, o médico encaminha a pessoa para um médico de confiança que fará um exame científico e não emocional.

De maneira semelhante, a empresa passa por isso. Seus proprietários, assumindo o papel de pai, muitas vezes desconfiam de que algo de estranho pode estar acontecendo com a empresa. Existe sempre o medo de encontrar uma doença muito complicada por meio de um diagnóstico. Ninguém quer escutar que há raríssimas chances de sobrevivência.

Este é, aliás, um erro tolo. Tolo porque é importante saber se há doença ou não, se a mesma tem cura, se a terapêutica é longa e se o custo dos medicamentos é ou não suportável para o já combalido fluxo de caixa da empresa.

Quanto mais se adiar o diagnóstico preciso, tanto mais caro sairá o tratamento e mais distante poderá ficar a cura definitiva para o problema. A figura abaixo representa a ideia que estou discutindo.

O momento t1 representa o melhor momento que a empresa deveria buscar auxílo. O custo do tratamento é baixo e o potencial de sucesso é muito alto. Já o ponto t2 é diametralmente oposto a t1. Os custos são altíssimos e as chances de sucesso são escassas.

Por incrível que pareça, o maior número de empresas que buscam orientação para seus negócios, faz no momento t2.

Para complicar ainda mais o cenário, entram em cena alguns “milagreiros de plantão” que sem nenhum embasamento técnico ou científico, prometem a cura por meio de verdadeiras “bruxarias empresariais”, levando aquela empresa moribunda ao seu derradeiro suspiro.

Esses “macumbeiros de terno e gravata” já realizaram muitos estragos e vêm, constantemente, denegrindo a imagem daqueles que trabalham sério para o crescimento contínuo das empresas.

Os terreiros que esses “pai-de-santo” têm sua localização não lembram, nem um pouco, as paredes de taipa dos tradicionais. Abrigados em endereços pomposos e com escritórios de cair o queixo, eles utilizam muito bem a embalagem como elemento de marketing. Como diz o ditado: “quem não tem cão, caça com gato”, isto é, uma vez que conteúdo é algo escasso nestas pessoas, sua arma torna-se aquilo que pode ser imediatamente visível. Isto sem contar o imenso currículo de sucessos, o jeito galanteador e massageador de ego que eles acabam incorporando nas atitudes. Para terminar: eles não resistem colocar uma palavra em inglês (geralmente mal pronunciado) em meia-dúzia de frases de efeito.

Então, o que fazer? Perceber se a empresa necessita de auxílio é mais comum do que se possa imaginar. O quanto antes esse passo for dado, tanto mais rápido o tratamento será. Entretanto, tome o máximo de cuidado com as promessas de um “pedaço do céu” que uma verdadeira legião de pessoas mal-intencionadas poderá oferecer.




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