É Difícil
Administrar uma empresa é uma das tarefas mais difíceis que se pode imaginar.
O grande problema decorre do erro inicial: afinal o que é uma empresa?
Empresa é uma soma de esforços (ou recursos) que juntos e sincronizados produzem um resultado.
E o que vemos atualmente nas empresas?
Nada de esforço conjunto, mas, antes de qualquer coisa, um eterno de vai e vem dos holofotes pendendo para um lado ou para outro.
Não raro, também esbarramos naquilo que defino de infantilidade empresarial. As empresas vivem buscando um super herói, um salvador da pátria para pôr ordem em tudo e em todos.
Isso é visível (para não dizer risível) nas revistas de negócios que colocam um determinado executivo como o “responsável” pelas mudanças provocadas na empresa x ou y. Que infantilidade! Um único homem foi capaz de tudo ? E o resto da empresa o que fazia ? Dormia ?
Acredite, embora pueril e infantil, isto é o que as pessoas em geral querem ler.
O efeito desse enfoque é a busca incessante dessa “mosca-branca” pelos tais headhunters que de estão se tornando um fiasco generalizado. Um bom exemplo, (na verdade um péssimo exemplo) foi a publicação da talvez maior empresa do setor acima citado com o título: “como se tornar professor universitário”. A tal “palestra”, informava aos interessados que eles podiam se tornar professor universitário porque:
Podiam trabalhar nas horas vagas: em outras palavras, é o famoso “bico”;
Há um mercado crescente e carente de profissionais: logo a chance é grande;
Não requer experiência anterior e as faculdades são receptivas com profissionais mais idosos.
A imoralidade não pára por aí. Evidentemente, essas “dicas” de como se tornar professor universitário custaria uma módica contribuição de R$ 125. Os gênios se esqueceram de mencionar que um professor deve ter vocação acadêmica, ser pesquisador, não se conformar com o status quo e, atualmente, ter titulação mínima de mestre. O fato de a lei citar que a instituição pode completar seu quadro com especialistas, não quer dizer que ela o fará. Aliás, uma instituição de reputação no mercado irá querer ter seu quadro composto por mestre e doutores e não o contrário.
Outro defeito original? A vontade de acreditar no elixir da longa vida. Aqui no Brasil as empresas têm uma “tara” de acreditarem piamente nos modismos que, de quando em quando, aparecem na atmosfera. Basta o sujeito se chamar Peter, Robert, Bill ou algo semelhante para já ser visto com olhares que beiram o sobrenatural. É muito mais fácil um empresário dar ouvidos para um fulano chamado “Antonio” que pretenda discutir gestão de materiais. Mas se aparecer um americano com nome estranho e queira apresentar “supply chain” este segunda levará a plateia. É infinitamente mais provável um executivo dar sua atenção para uma temática sobre “mergers” do que pensar em otimizar o processo produtivo da empresa.
Assim são as empresas.
Isso sem contar com o “besteirol” empregado nos discursos dos executivos com carteirinha de MBA. Pessoas absolutamente arrogantes, prepotentes e vaidosas, tentam convencer com seu ar de soberba, a TODOS trabalharem em equipe. Evidentemente, sob sua batuta e aceitando seus desaforos de ordem pessoal e profissional. Vejam a que ponto chegamos: pessoas absolutamente sem nenhum talento em administrar e, pasmem, conhecimento, estão sendo levadas a postos de comando. Não é à toa que no Brasil há uma legião de pessoas que nunca leram duas páginas de uma revista semanal, na outra semana tornam-se “escritores”.
Logo, o que as empresas deveriam fazer? Procurar ser bastante humilde perante os fatos, analisá-los e tomar as medidas cabíveis para melhorar o desempenho atual. Humildade não significa subserviência. Humildade significa inteligência, sobretudo a de ouvir, entender e mudar! Humildade é ter a certeza de mudar o caminho que se está trilhando, de maneira equivocada, para o cagminho da segurança e da bonança. Parece que a velha receita da vovó estava certa: humildade e caldo de galinha não faz mal a ninguém.
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