Inovar é Preciso

Um dos principais assuntos que venho discutindo neste blog é a necessidade que as empresas brasileiras têm em inovar. A inovação não deve se restringir somente ao produto em si (aspecto físico, embalagem, tecnologia, etc.). Porém, a maior inovação que as empresas nacionais necessitam é aquela que poderá mudar a mentalidade de seus dirigentes.

Para que essa verdadeira revolução venha a ocorrer, é necessário um ingrediente raro em nossos empresários: ousadia! Um acompanhamento indispensável para essa ousadia será a mudança de atitude que foi reconhecida até pelo grande Michael Porter em um seminário em São Paulo no ano de 1999: “os empresários brasileiros estão sempre reclamando. Viajo para outros países e vejo os homens de negócio mais mobilizados e tomando a iniciativa para resolver seus problemas”.

Então, o que se torna necessário para inovar? Parece que são três os passos fundamentais para se iniciar o processo de inovação.

O primeiro deles é o investimento em ciência. Geralmente, quando se fala em ciência no Brasil, logo se pensa no governo realizando esse passo. Se pensarmos em ciência como um conjunto organizado dos conhecimentos relativos ao universo objetivo, envolvendo os seus fenômenos naturais, ambientais e comportamentais, logo se vislumbrará que, até por uma questão de coerência, os investimentos nesta área não poderão ser restritos ao governo.

O segundo passo é a utilização do conhecimento científico para transformá-lo em tecnologia. Assim, tecnologia é o conjunto ordenado de todos os conhecimentos científicos, empíricos e intuitivos necessários à produção e comercialização de bens e serviços.

O terceiro e último passo é que efetivamente conduzirá a empresa à inovação. Dessa forma, inovação é a ação que conduz à mudança na forma como as coisas são feitas, isto é, uma mudança em um produto, em um processo ou em um serviço. Essa etapa poderá ser trilhada por duas vias distintas, a saber:

1 – Descoberta: é a ação que conduz ao surgimento de uma nova teoria, uma nova lei, um novo conceito ou um novo processo que poderá reestruturar o pensamento das pessoas em um determinado campo do conhecimento;

2 – Invenção: é a ação que conduz ao desenvolvimento de um novo dispositivo, um novo método ou de uma nova máquina que poderá mudar a maneira pela qual as coisas são feitas.

Esse caminho, aliás, é verdadeiro e pode ser comprovado facilmente em uma área onde o Brasil começa a ser reconhecido como fonte de referência: biologia. Nos últimos anos, pesquisadores ligados a essa área do conhecimento, conquistaram respeito da comunidade científica mundial pela qualidade dos trabalhos apresentados em congressos e mesmo no desenvolvimento de tecnologia para atacar determinadas doenças, como o cancro cítrico.

Quer seja pela descoberta ou pela invenção, o certo é que a economia de um país somente crescerá, por força própria, se esses dois pontos, isolados ou de forma simultânea, forem obtidos.

Caso contrário, caberá à indústria local adquirir tecnologia estrangeira. A chamada transferência de tecnologia é a compra do conhecimento, em geral de uma empresa ou mesmo de um órgão estatal, cuja finalidade é permitir a adaptação do comprador às técnicas que já se utiliza com uma pequena margem de autonomia para eventuais mudanças.

Lembrando, ainda, Michael Porter, é esse cenário que determinará qual caminho uma empresa (ou país) deverá trilhar. Ou bem se escolhe a estrada cujo nome é diferenciação, onde a base fundamental (principal característica) chama-se domínio da tecnologia, ou a outra estrada é que deve ser tomada. Seu nome: liderança em custo.

E o que acontece com as empresas brasileiras e com o Brasil de uma forma geral? Uma verdadeira bagunça em termos estratégicos. A China tem muito claro que sua característica atual é a liderança em custo. Por um motivo bem simples: ela não detém tecnologia. Outros países como Japão, Coréia, Taiwan já fizeram o mesmo caminho.

Em linhas gerais, em primeiro lugar deve-se ganhar dinheiro e depois investi-lo em tecnologia.

Acredito que esta história já foi longe demais e estamos correndo um risco enorme de nos perdermos na periferia das discussões. Que tal colocar todos esses pontos em ação?



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