Monovisão
A semana que passou provavelmente deixou algumas lições importantes para os dirigentes empresariais.
O Congresso Nacional agiu de forma infantil aprovando um pacote de medidas que, embora justas, somente passaram a tomar parte na agenda porque as eleições estão se descortinando no horizonte. O Banco Central (quem diria) deu um susto sem a menor necessidade no mercado aumentando os juros e tornando o Brasil medalha de ouro em juros reais da Via Láctea.
Perspectivas favoráveis para a economia brasileira começam a ser revistas para o segundo semestre e mesmo um cenário de bastante desaquecimento entre outubro até dezembro não está fora da bola de cristal de alguns analistas. A inflação, que estava um tanto quanto esquecida nas discussões, volta à baila.
O crescimento econômico de 2010 ganha um inimigo adicional: o próprio crescimento. Até porque o crescimento brasileiro é movido por incremento de crédito, enquanto os livros de Economia nos ensinam que deve ser suportado pela taxa de investimento. No Brasil enquanto a taxa de investimento é de cerca de 18%, na China está em 42%. Será que todos entendem porque a China tem um crescimento sustentável e nós vivemos no eterno “vôo de galinha” ? O crescimento deve ser suportado pela riqueza gerada e não por crédito. Na empresa (plano microeconômico, ocorre algo análogo. Muitas empresas querem crescer tomando crédito no banco. O que é tomar crédito ? É gastar (com investimento ou despesas) sem ter gerado riqueza alguma.
Como pano de fundo ainda temos uma eleição pela frente. Com ela, o festival de baixarias (de um lado e de outro) voltará. É site ilegal daqui, dossiê falso de lá e desrespeito às leis eleitorais do principal mandatário do país. Não vai demorar muito e será inaugurado o período e amedrontamento. Se a Dilma ganhar as eleições você perderá sua casa. Se o Serra ganhar as eleições o Banco do Brasil será privatizado. A verdade é que PT e PSDB são tão iguais e sem visão de futuro que esse país tanto necessita que me inspirou a dar o nome para este artigo: a monovisão.
A monovisão não é, por suposto, um atributo dos partidos citados, mas ela se desdobra nas organizações empresariais. Apenas um dado para ilustrar: alguém acredita que até hoje ainda ocorra disputas entre a área comercial e a financeira ? Pois é mesmo incrível, mas há essa disputa. Trata-se ou não de uma monovisão ?
Para deixar bem claro o que se pretende discutir neste artigo é a “monovisão gerencial”. Este neologismo (monovisão) reza que as atenções, diretrizes e tomada de decisões empresariais são tomadas a partir de um único foco (comercial, produtivo, financeiro, etc.) e que, portanto, são enviesadas e, como tal, oferece um enorme risco.
Olhar a empresa somente do ponto de vista financeiro é tão pobre quanto enxergá-la, somente, da ótica comercial ou produtiva.
As empresas são muito mais complexas do que a grande maioria das pessoas pensa. Administrá-la é um misto entre arte e ciência. A monovisão é, então, um vício nocivo e mortal para as empresas que realmente queiram se destacar.
E o que se vê (e se viu) nas empresas com tal sintoma ? A cultura do afunilamento das visões sobre os cenários que se movimentam com uma velocidade tão espantosa como a da luz. E a velocidade impressa pela monovisão não alcança um tico-tico infantil.
Qual empresa hoje é capaz de olhar para além de suas fronteiras e conseguir verificar as cinco forças competitivas que poderão de fato mudar suas estratégias? Os cinco elementos são:
Novos Concorrentes;
Determinantes do Poder do Fornecedor;
Determinantes da Rivalidade;
Determinantes de Ameaça de Substituição;
Determinantes do Poder do Comprador:
Assim, ao invés da empresa voltar seus holofotes para a área financeira e tentar buscar lá o novo salvador da pátria, ela deveria realizar duas coisas:
Esvaziar o excesso de poder de uma área nas decisões;
Desenvolver uma análise mais generalista dos problemas e das situações para toda a equipe e não depender de um super heroi.
Caso estas atitudes não sejam desenvolvidas, deveremos encaminhar todo o nosso espírito para a torcida, assim:
Para não ocorrer cortes de energia no futuro: torcer para São Pedro dar uma ajuda extra, fazendo chover exatamente onde foram construídas as hidrelétricas e, quem sabe, desta vez não comprar sucata alemã para construir Angra III;
Para evitar que a NASDAQ ou a NYSE não contaminem a BOVESPA: convencer os analistas nacionais e estrangeiros que o Brasil vai vencer tudo e todos. Até sugeriria um curso de auto-ajuda aos analistas do tipo “pisar em brasas”…
Para as empresas descobrirem o caminho da salvação: quem sabe contratar o guru do momento a preço de ouro para ouvir uma conversa evasiva e sem utilidade prática;
Para os políticos melhorarem: se alguém descobrir, por favor, me conte rapidamente!
Dissemine conhecimento! Compartilhe:
Indique! Envie esse conteúdo por e-mail para um amigo!












