O Eterno Problema
Nesta semana, a mídia, em geral, se preocupou com um dos eternos problemas nacionais: as enchentes e as tragédias que ocorrem sistematicamente em todo início de ano.
Sabemos, em administração, que os problemas merecem ser encarados de três óticas para solucioná-los. As três partes são:
- Estrutura;
- Estratégia;
- Estilo.
De modo resumido, podemos dizer que estrutura é a parte óssea de uma empresa, isto é, sua coluna vertebral, a qual conduz (ou não) as empresas de um ponto para outro. A estratégia é todo esforço intelectual para direcionar o esqueleto para um lugar. Se não prepararmos o futuro intelectualmente, ninguém o fará para nós. Já a maneira como andamos e pensamos tem a ver com o nosso estilo. Duas pessoas podem chegar num mesmo baile; só que uma apenas está vestida a caráter. Provavelmente, o outro será, literalmente, “barrado no baile”.
Muitas empresas brasileiras continuam sendo barradas no baile da competitividade global, da satisfação com o cliente, da negociação financeira com bancos e tantos outros bailes, pois, basicamente, não entenderam que seu estilo, estratégia e estrutura estão inadequados. Este é, também, um dos eternos problemas.
Descobri, com a experiência de consultor, em muitas empresas, que as três partes explicam em parte, o problema. Talvez haja uma quarta parte muito cruel que não possibilita que os eternos problemas sejam resolvidos. A esta quarta parte apelidei de FV – Falta de Vontade !
Se os gestores públicos, que deveriam gerir as cidades para os problemas não fossem eternizados, tivessem um pouco de FV, com certeza não veríamos as cenas que invadem nossa casa. De modo análogo, os gestores das empresas também apreciam a eternização de problemas em seus negócios, algo parecido com um processo esquizofrênico e de paixão doentia para conviver com problemas que, em geral, são de fácil resolução. Assim, a vontade é o fator principal para motivar os três E´s (estrutura, estratégia e estilo) para a análise, interpretação e resolução dos problemas de toda natureza. Sobre estes elementos vale a pena compreendê-los. Assim:
- Estrutura: sabemos como lidar com o problema da enchente, da seca, da construção em locais seguros, de capital de giro, de lucratividade, de relacionamento com clientes e tantos outros. Há institutos, bancos, políticos; enfim, até dinheiro (e não é pouco) tem para o problema. Israel é a prova que, em condições adversas, é possível praticar agricultura, desenvolver uma indústria sofisticada em setores estratégicos, e, até mesmo, movimentar um comércio invejável. Desta forma, a estrutura está adequada e possibilita a identificação real, bem como a proposição de respostas ao problema em pauta. Resta saber o modo pelo qual será resolvido;
- Estratégia: Já se pensou muito no assunto, muitas pesquisas foram realizadas, muitos planos com metas e nada, absolutamente nada, foi concretizada de maneira a beneficiar a população como um todo. Apenas exemplos isolados e desconectados um do outro é que se observa. Exemplo de uma estratégia reprovável é a de não solucionar o problema e promover a “máquina da enchente”, operacionalizados da maneira mais espúria possível que é no clientelismo, currais eleitorais, perpetuados pela “legitimação” do voto. Na empresa, de modo semelhante, o mecanismo se repete. Não, obviamente pelo voto, mas pelo mando e obediência. A estratégia não pode ser subordinada a estes institutos legais e culturais anacrônicos, caso contrário, o problema é eternizado;
- Estilo: Não há quem não se comprometa com a idéia de auxiliar os carentes e desabrigados. Porém, por melhor que sejam as intenções, elas ainda, serão muito pequenas diante do desafio: quebrar o estilo reinante de poder que lá impera. Até porque, se o estilo não for modificado, isto é, a forma pela qual se aplicam as estratégias, fundamentadas na estrutura, será um mero paliativo, colocar um torniquete para tentar estancar uma sangria.
Acredito que falte, novamente vontade para muitos gestores. Principalmente aqueles que aparecem na mídia e dizem que têm a solução milagrosa. Para estes cidadãos, falta uma dose cavalar de vontade. Não é mais possível avançarmos rumo ao desenvolvimento do país com uma oligarquia cega, surda e insensível.
O mesmo fenômeno se vê claramente nas empresas brasileiras. Mesmo com carência de estrutura, estratégia ou de estilo, o ponto nevrálgico é a vontade, senão, vejamos alguns fatos:
- Quando os empresários criticam o governo pela sua inoperância e tomada de decisões contrárias aos seus interesses é, no mínimo, surreal. Isto porque quem ofereceu verba para as campanhas? Quem possui poder de influenciar?;
- Quando os empresários criticam as leis tributárias do país, deveriam se lembrar que quem oferece dinheiro para as campanhas políticas dos deputados e senadores também são eles. A verba sai dos cofres das empresas;
- Quando os empresários reclamam que as vendas estão caindo, eles param por aí mesmo. Há muita reclamação e pouca informação ! Quando se propõe algo mais estruturado, científico e com método, então chega a resposta infalível: isto não é para minha empresa, só para empresas grandes. É lamentável;
- Quando os empresários reclamam que estão sem dinheiro para investir ou pagar suas contas, eles também param por aí. Não têm um sistema para tomar decisões financeiras com segurança. Pensam que ter um sistema de contas a pagar, receber e um fluxo de caixa (em geral errado) é o suficiente para gerenciar uma empresa. É por isso que o número de empresas com dificuldade financeira só tende a crescer. Novamente, lamentável;
- Quando os empresários reclamam que seus funcionários não estão comprometidos com a empresa e que trabalham em ritmo “quase-parando”, novamente só ficam na reclamação. Nada de concreto se estabelece. Não se rompe o ambiente infantil estabelecido, não se cria uma empresa onde as pessoas aprendam e ensinem umas às outras, não se muda o estilo.
Pergunto: O que falta? Falta estrutura? Penso que não. Falta estratégia? Em partes, mas os empresários até sabem o que deve ser feito; mas não fazem. Falta estilo ? Em alguns casos isto é verdadeiro, mas não podemos concluir.
Creio que devemos acabar com o eterno problema do empresariado nacional: a teimosia. Para romper com este problema, não será com engenhocas computadorizadas, tampouco com livros de auto-ajuda. É hora, e já é tarde, de romper com a FV e aderir a SV (Super Vontade) e se desvencilhar deste mal que não deixa a empresa avançar: a teimosia.
Dissemine conhecimento! Compartilhe:
Indique! Envie esse conteúdo por e-mail para um amigo!












