Universidade Corporativa
Finalmente uma boa idéia está contaminando as empresas: a criação de suas universidades corporativas.
A bem da verdade, o termo universidade é um tanto quanto forte para descrever o fenômeno que diverge, e muito, do que vem a ser uma instituição de ensino. Todavia, não há como deixar de elogiar uma iniciativa tão interessante como esta.
Desde que as empresas passaram a se tornar o centro das atenções no lugar do Estado, todo o conjunto de conhecimentos que levaram anos para serem construídos e dedicados para a “sociedade industrial” cederam lugar para uma sociedade mais complexa, chamada de “sociedade pós-moderna”.
Nesse sentido, a universidade corporativa se encaixa para tentar traduzir as imensas necessidades que as empresas têm no domínio do conhecimento, que muitas vezes deverão visitar os fundamentos da sociedade industrial e outras apoiarem-se nas discussões da história em curso.
A partir do momento em que as empresas descobriram que o seu maior ativo não era aquele registrado nos livros contábeis, e sim a inteligência dos colaboradores, a corrida para aquisição de conhecimento tem sido imensa.
A explosão dos MBA’s e cursos de pós-graduação podem representar apenas a ponta do imenso iceberg. Cursos preparatórios e de reciclagem das rotinas operacionais ocorrem com maior regularidade que em outros tempos.
É nesse contexto que surge a idéia da universidade corporativa.
Os ensinamentos oferecidos no cenário de uma universidade corporativa são aqueles que visam passar aos participantes uma visão ao mesmo tempo prática para o seu dia a dia (estabelecendo um elo com a realidade de seu ambiente) e fundamentada com conceitos e teorias clássicas e de vanguarda. Nesse instante, é criado o processo cognitivo no participante e, portanto, há significado.
O resultado esperado deste processo pode ser compreendido naquilo que Peter Senge define em seu livro “A Quinta Disciplina” como níveis de aprendizagem:
Domínio dos resultados do negócio;
Domínio do conhecimento e da ação do negócio e do ambiente;
Domínio das mudanças duradouras:
Aprendizagem profunda dos temas e suas implicações;
Mudanças orientadas para resultados;
Mudança de atitudes e crenças
Teoria, métodos e instrumentos;
Habilidades voltadas ao negócio duradouro.
Fica claro, portanto, que a universidade corporativa quer contribuir para a empresa do futuro. Desenvolver pessoas críticas com fundamentação e não apenas com empirismo, ceticismo ou até dogmatismo como muitas vezes se percebe nesse ambiente. Essas pessoas é que irão fazer a diferença das empresas de hoje e sempre.
O conhecimento criará a possibilidade real da empresa sair do mundo das idéias e manifestá-las de maneira significativa com impacto no resultado. É um investimento no maior capital das organizações de sucesso: capital intelectual.
As empresas voltadas ao crescimento deveriam se reunir em blocos, associações ou algo nesse sentido para não ficarem, novamente, fora das grandes transformações.
Quem realizar a sua universidade, com certeza, colherá frutos no médio e longo prazos. Isso mesmo, médio e longo. Qualquer promessa fantasiosa de milagres de curto prazo não passa de uma bravata de milagreiros de plantão.
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